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Música da Semana

Esta semana na forma extraordinária do Rito Romano celebramos a Festa da Sagrada Família, trazemos mais uma vez uma gravação do Coro da Capela Sistina. O vídeo foi gravado na  Santa Missa da Véspera do Natalda de 2012. o Coro canta o Kyrie IX ( cum jubilo), esta missa é dedicada ás festas marianas mas tradicionalmente é cantado por ocasião das festas do tempo do Natal.
SALVE MARIA

Música da Semana

Na Semana em que celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor, trazemos o intróito desta Missa: Ecce advenit, trata-se de um intróito em modo II cantado pelo Italiano Giovanni Vianinni da Schola Cantorum Mediolanensis de Milão.
SALVE MARIA !!!

Música da Semana

No domingo que antecede o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, trazemos uma canção natalina Italiana, escrita por Santo Afonso Maria de Ligório no Século XVI, Tu Scendi  Dalle Stelle. Essa canção é a mais tradicional entre os italianos, destaca-se pela linguagem simples e melodia de fácil execução. O vídeo foi gravado na Missa da Noite de Natal de 2011 durante a saída do Santo Padre da Basílica de São Pedro, nos preparemos para o Natal com esta canção interpretada pelo Coro da Capela Sistina.
SALVE MARIA !!!!

Música da Semana

No dia em que iniciamos a novena de Natal, trazemos o Introito da Missa da Noite de Natal. Dominus Dixit Ad Me, cantado pelo coro da Capela Sistina observamos a alternância da melodia gregoriana com o canto polifônico. Este tipo de arranjo tem sido utilizado amplamente nas celebrações do Santo Padre.
SALVE MARIA !!!

Música da Semana

No Primeiro domingo do Advento trazemos o belíssimo hino VENI VENI EMANUEL, trata-se de um canto tradicional deste tempo do advento podemos notar em suas estrofes as antífonas do "Ó".
SALVE MARIA

Música da Semana

Na semana que antecede nossa peregrinação à Guaratinguetá, trazemos uma gravação feita em 2011 na Catedral de Santo Antonio, o Coral Santa Cecília da Cidade de Londrina na comemoração dos seus 75 anos de existência realizou uma visita e gravou alguns videos utilizando o majestoso órgão de tubos da Catedral. Nesta gravação a belíssima interpretação do Glória de Rossini adaptado para o português.
SALVE MARIA !!!

Música da Semana

Esta semana trazemos mais uma obra Prima do Monsenhor Marco Frisina, o Hino Oficial Para o Ano da Fé . o vídeo foi gravado na Missa de Abertura do Ano da Fé em outubro na Praça de São Pedro, observamos que cada estrofe é cantada em uma Língua diferente.

Segue no link abaixo a partitura em Português

SALVE MARIA

Música da Semana

Na semana em que celebramos a Solenidade de Todos os Santos trazemos a Tradicional Ladainha de Todos os Santos, esta ladainha é cantada em diversas ocasiões como por exemplo: ordenações sacerdotais, profissões religiosas, Vigília Pascal entre outras cerimônias. A relação dos Santos varia de acordo com a ocasião, pode-se acrescentar os padroeiros e outros Santos conforme o costume local.
SALVE MARIA 

Música da Semana

Continuando nossa série em homenagem à  Nossa Senhora Aparecida esta semana trazemos o Hino: Ave Maris nitida Stella, trata-se de um antigo hino em latim infelizmente não sabemos o autor e quando foi escrito.

SALVE MARIA !!!

Musica da Semana

Esta semana uma composição de Giovanni Pierluigi da Palestrina, o Credo da missa Papae Marcelle, executado pelo coro da Capela Sistina na Santa Missa da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo no ultimo dia 29/06. Podemos observar toda a beleza e majestade da autêntica Polifonia Sacra.
SALVE MARIA !!!

Musica da Semana

Esta semana gostaríamos de homenagear todos os organistas do Brasil, trazemos uma gravação do tenor Aloysio Rachid, pianista e organista da Igreja de Ns. da Glória do Outreiro RJ. A gravação foi feita durante uma Missa Dominical onde na comunhão foram cantadas 3 musicas da Harpa de Sião.
SALVE MARIA !!!

Entrevista com o Autor do Hino da JMJ Rio 2013

Entrevista com o Pe José Candido autor do Hino Oficial da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, o hino será lançado na próxima Sexta- feira dia 14 ( Festa da exaltação da Santa Cruz) . Abaixo o video de lançamento do hino.

Musica da Semana

Esta semana trazemos  o hino : Ave ó Theotokos interpretado pelo Coral do Santuário de Fátima em Portugal, a gravação foi feita em 2010 e faz parte de um Especial exibido pela TV Canção Nova Portugal.
SALVE MARIA !!!

Musica da Semana

Esta semana trazemos uma belíssima canção Italiana interpretada pelo coro diocesano di Nola, a musica de J. S. Bach, Quanta sete nel mio cuore. Esta musica também foi cantada pelo Coro da Diocese de Roma na procissão de Corpus Christi deste ano.
SALVE MARIA !!!

Musica da Semana

Na semana em que celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, mais uma vez um vídeo do Coral da Arquidiocese de Campinas. cantando o Magnificat, uma peça polifônica tradicional muito executada nas Festas Marianas.
SALVE MARIA !!!

Musica da Semana

Continuamos nossa série, com o Coral da Diocese de Roma cantando a Antífona Pueri Hebraeorum, mais uma vez observamos a alternância entre a Antífona Gregoriana e a Salmodia Polifônica, neste caso a Salmodia é uma composição do Mons. Marco Frisina, além de ser o regente deste coral ele é um dos precursores deste estilo musical.
SALVE MARIA !!!

Música da Semana

A partir deste domingo , iniciamos uma serie de postagens com vídeos extraídos do Youtube, queremos com esta série mostrar um pouco do trabalho que está sendo realizado por diversos corais brasileiros. Sempre aos Domingos publicaremos um vídeo, iniciamos nossa série com o Coro da Arquidiocese de Campinas cantando Veni Creator Spiritus.
Podemos observar a alternância entre a melodia Gregoriana Tradicional e o canto polifônico, isto tem sido comum nas Missas cantadas pelo Coro da Capela Sistina e alguns grupos têm adotado esta forma de cantar.
Lembramos ainda que nossos leitores poderão sugerir videos para serem publicados nas próximas semanas, e também os corais poderão enviar gravações mostrando o seu trabalho.

SALVE MARIA !!!

O papel do orgão na liturgia



No serviço divino a música tem papel fundamental para elevação dos corações a Deus, e para a expressão de contrição, louvor e fé dos cristãos.

A história da música sacra apresenta uma série de compositores e inumeráveis obras da música religiosa que foram inspiradas pelo Espírito Santo. Tanto é que em suas obras o grande Johan Sebastian Bach indicava em suas obras as iniciais "SDG", soli deo gloria (glória somente a Deus); E costumava dizer que sua música era "para a maior glória de Deus e o ensino dos homens".

Bach se dedicou muito a compor para o órgão, considerado o instrumento litúrgico que identifica o cristianismo e a sua música, desde o século XI.

Este belo instrumento tem servido a igreja e inspirado muitos corações há mais de 10 séculos. Muitos estudiosos, teólogos e músicos ao longo do tempo identificam no som do órgão a Vox Dei, ou seja a voz de Deus que fala ao coração dos cristãos. Exatamente pelo que foi dito W.A.Mozart considerou o órgão como o Rei dos Instrumentos. Sabemos de sua importância mesmo no Velho Testamento, quando encontramos em Gênesis a informação de que Jubal era o pai de todos os construtores de órgão e ainda mais no Livro de Salmos a indicação clara de sua função no Culto Divino:

Louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos. (Salmo 150: 4)

O Silêncio e o Canto

A participação dos fiéis no autêntico espírito da liturgia.
Guido Marini

“Introdução ao espírito da liturgia” é o tema da conferência que o Mestre das celebrações litúrgicas pontifícias pronunciou no dia 14 de Novembro, em Gênova (Itália), a um grupo diocesano de animadores musicais da liturgia. Publicamos alguns trechos da intervenção.

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É urgente reafirmar o autêntico espírito da liturgia, do modo como está presente na ininterrupta tradição da Igreja e tem sido testemunhado, em continuidade com o passado, no magistério mais recente: a partir do Concílio Vaticano II até Bento XVI. Usei a palavra “continuidade”. É um termo querido ao actual Pontífice, que fez dele competentemente o critério para a única interpretação correcta da vida da Igreja e, em particular, dos documentos conciliares, assim como dos propósitos de reforma a todos os níveis neles contidos. E como poderia ser diferente? Porventura, podemos imaginar uma Igreja antes e outra depois, como se tivesse sido produzida uma suspensão na história do corpo eclesial? Ou então, podemos afirmar que a Esposa de Cristo entrou, no passado, num tempo histórico no qual o Espírito não a tenha assistido, de modo que este tempo deva ser quase esquecido ou apagado?

E no entanto, às vezes, algumas pessoas dão a impressão de que aderem àquela que é justo definir como uma verdadeira ideologia, ou seja, uma idéia preconcebida, aplicada à história da Igreja e que nada tem a ver com a fé autêntica.

É fruto dessa ideologia, desviante, por exemplo, a repetida distinção entre Igreja pré-conciliar e Igreja pós-conciliar. Tal linguagem pode até ser legítima, contanto que não se compreendam deste modo duas Igrejas: uma – a pré-conciliar – que nada teria a dizer ou dar porque está irremediavelmente superada; e a outra – a pós-conciliar – que seria uma realidade nova nascida do Concílio e de um seu presumível espírito, em ruptura com o seu passado.

O que se afirmou até agora acerca da “continuidade” tem algo a ver com o tema que fomos chamados a enfrentar? Sim, de maneira absoluta. Porque não pode existir o autêntico espírito da liturgia se não nos aproximarmos dela com ânimo sereno, não polémico acerca do passado, quer remoto quer próximo. A liturgia não pode nem deve ser terreno de conflito entre quem encontra o bem só naquilo que estava antes de nós e quem, ao contrário, no que estava antes encontra quase sempre o mal. Só a disposição para olhar o presente e o passado da liturgia da Igreja como um património único e em desenvolvimento homogéneo pode conduzir-nos a haurir com júbilo e gosto espiritual o autêntico espírito da liturgia. Por conseguinte, é um espírito que devemos receber da Igreja e que não é fruto das nossas invenções. Um espírito, acrescento, que nos leva ao essencial da liturgia, ou melhor, à oração inspirada e guiada pelo Espírito Santo, na qual Cristo continua a vir até nós contemporâneo, a fazer irrupção na nossa vida. Deveras o espírito da liturgia é a liturgia do Espírito.

Na medida em que nos assemelhamos ao autêntico espírito da liturgia, tornamo-nos também capazes de entender quando uma música ou um canto podem pertencer ao património da música litúrgica ou sacra. Noutras palavras, capazes de reconhecer a única música que tem direito de cidadania no rito litúrgico, porque é coerente com o seu espírito autêntico. Então, se no início deste curso falámos sobre o espírito da liturgia, fizemo-lo porque só a partir dele é possível identificar quais são a música e o canto litúrgico.

Em relação ao tema proposto não pretendo ser cabal. Nem tratar todos os temas que seria útil enfrentar para um panorama completo da questão. Limito-me a considerar alguns aspectos da liturgia com referência específica à celebração eucarística, assim como a Igreja os apresenta e do modo como aprendi a aprofundá-los nestes dois anos de serviço ao lado de Bento XVI: um verdadeiro mestre de espírito litúrgico, quer através do seu ensinamento, quer do exemplo da sua celebração.

A participação activa

Os santos celebraram e viveram o acto litúrgico participando concretamente nele. A santidade, como êxito da sua vida, é o testemunho mais bonito de uma participação deveras viva na liturgia da Igreja. Portanto, de modo justo e providencial, o Concílio Vaticano II insistiu muito sobre a necessidade de favorecer uma participação autêntica dos fiéis na celebração dos santos mistérios, no momento em que recordou a chamada universal à santidade. Esta indicação competente encontrou confirmação e relançamento pontuais nos inúmeros documentos sucessivos do magistério até aos nossos dias.

Contudo, nem sempre houve uma compreensão correcta da “participação activa”, da maneira como a Igreja ensina e exorta a vivê-la. Certamente, participa-se activamente inclusive quando se realiza, dentro da celebração litúrgica, o serviço que é próprio a cada um; quando se tem uma compreensão melhor da Palavra de Deus ouvida e da oração recitada; quando se une a própria voz à dos outros no canto coral… Entretanto, tudo isto não significaria participação verdadeiramente activa se não conduzisse à adoração do mistério de salvação em Jesus Cristo morto e ressuscitado por nós: porque só quem adora o mistério, acolhendo-o na própria vida, demonstra ter compreendido o que se está a celebrar e, por conseguinte, ser autenticamente partícipe da graça do acto litúrgico.

A verdadeira acção que se realiza na liturgia é a acção do próprio Deus, a sua obra salvífica em Cristo a nós participada. Esta, entre outras, é a verdadeira novidade da liturgia cristã em relação às outras acções cultuais: o próprio Deus age e realiza o que é essencial, enquanto o homem é chamado a abrir-se à acção de Deus, com a finalidade de permanecer transformado nela. O ponto essencial da participação activa, consequentemente, é que a diferença entre o agir de Deus e o nosso seja superada, que nos possamos tornar um só em Cristo. Eis porque não é possível participar sem adorar. Escutemos ainda um trecho da Sacrosanctum concilium: “É por isso que a Igreja procura, solícita a cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, piedosa e activamente, por meio de uma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos na Palavra de Deus; se alimentem na mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que dias após dia, por Cristo Mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos” (n. 48).

Em relação a isto, o restante é secundário. Em particular, refiro-me às acções exteriores, não obstante importantes e necessárias, previstas sobretudo durante a Liturgia da Palavra. Cito-as porque se se tornarem o essencial da liturgia e forem reduzidas a um agir genérico, então o autêntico espírito da liturgia ficará subentendido. Consequentemente, a verdadeira educação litúrgica não pode consistir simplesmente na aprendizagem e no exercício de actividades exteriores, mas na introdução à acção essencial, à obra de Deus, ao mistério pascal de Cristo pelo qual se deixar alcançar, envolver e transformar. E não se confunda a realização de gestos externos com o justo envolvimento da corporeidade no acto litúrgico. Sem nada subtrair ao significado e importância do gesto externo que acompanha o acto interior, a Liturgia exige muito mais do corpo humano. De facto, requer o seu total e renovado empenho na quotidianidade da vida. É o que Bento XVI chama “coerência eucarística”. Justamente o exercício pontual e fiel dessa coerência é a expressão mais autêntica da participação inclusive corpórea no acto litúrgico, na acção salvífica de Cristo.

Acrescento ainda. Estamos certos de que a promoção da participação activa consiste em tornar tudo o mais possível e imediatamente compreensível? Será que o ingresso no mistério de Deus às vezes pode ser acompanhado melhor pelo que senibiliza as razões do coração? Em alguns casos, não acontece que se dá um espaço desproporcionado à palavra, maçadora e banalizada, esquecendo que à liturgia pertencem palavra e silêncio, canto e música, imagens, símbolos e gestos? E, porventura, a língua latina, o canto gregoriano e a polifonia sacra não pertencem a esta múltipla linguagem que introduz no centro do mistério e, portanto, na verdadeira participação?

Qual música para a liturgia

Não compete a mim aprofundar o que concerne à música sacra ou litúrgica. Outros, com mais competência, tratarão o temo no decurso dos próximos encontros.

Entretanto, oq eu gostaria de realçar é que a questão da música litúrgica não pode ser considerada independentemente do autêntico espírito da liturgia e, por conseguinte, da teologia litúrgica e da espiritualidade que deriva dela. Então, o que se afirmou – ou seja que a liturgia é um dom de Deus que a Ele nos orienta e que, mediante a adoração, nos permite sair de nós mesmos para nos unir a Ele e aos outros – não só procura fornecer alguns elementos úteis para a compreensão do espírito litúrgico, mas também elementos necessários ao reconhecimento do que música e canto verdadeiramente podem dizer à liturgia da Igreja.

A propósito, permito-me uma breve reflexão orientativa. Poder-se-ia perguntar o motivo pelo qual a Igreja nos seus documentos, mais ou menos recentes, insiste em indicar um determinado tipo de música e de canto como especialmente conformes com a celebração litúrgica. Já o Concílio de Trento inteviera no conflito cultural então em acto, restabelecendo a norma pela qual na música a aderência à Palavra é prioritária, limitando o uso dos instrumentos e indicando uma clara diferença entre música profana e música sacra. Com efeito, a música sacra nunca pode ser entendida como expressão de pura subjectividade. Ela está ancorada nos textos bíblicos ou da tradição, e deve ser celebrada na forma de canto. Em época mais recente, o Papa São Pio X interveio de modo análogo, procurando afastar a música operística da liturgia e indicando o canto gregoriano e a polifonia da época da renovação católica como critério da música litúrgica, para que fosse diferenciada da música religiosa em geral. O Concílio Vaticano II afirmou as mesmas indicações, assim como as intervenções magisteriais mais recentes.

Por que, então, a insistência da Igreja em apresentar as características típicas da música e do canto litúrgico, de tal modo que permaneçam distintos de todas as outras formas musicais? E por que o canto gregoriano como a polifonia sacra clássica resultam ser formas musicais exemplares, à luz das quais continuar hoje a produzir música litúrgica, inclusive popular?

A resposta a esta pergunta está exactamente naquilo que procuramos afirmar a propósito do espírito da liturgia. São precisamente aquelas formas musicais – na sua santidade, bondade e universalidade – que traduzem em notas, melodia e canto o autêntico espírito litúrgico: orientando para a adoração do mistério celebrado, favorecendo uma participação autêntica e integral, ajudando a compreender o sagrado e, portanto, a primazia essencial da acção de Deus em Cristo, permitindo um desenvolvimento musical não desligado da vida da Igreja e da contemplação do seu mistério.

Permiti-me uma última citação de Joseph Ratzinger: “Gandhi evidencia três espaços de vida dos cosmos e mostra como cada um destes três espaços vitais comunica também um modo próprio de ser. No mar vivem os peixes, que se calam. Os animais sobre a terra gritam, mas os pássaros, cujo espaço vital é o céu, cantam. Calar é próprio do mar; gritar, da terra; cantar, do céu. Contudo, o homem participa nos três: ele traz em si a profundidade do mar, o peso da terra e a elevação do céu; por isso são suas também as três propriedades: calar, gritar e cantar. Hoje (…) vemos que ao homem sem transcendência permanece apenas o gritar, porque quer ser só terra e procura fazer tornar-se terra inclusive o céu e a profundidade do mar. A verdadeira liturgia, a liturgia da comunhão dos santos, restitui-lhe a própria totalidade. Ensina-lhe de novo o calar e o cantar, abrindo-lhe a profundidade do mar e ensinando-lhe a voar, a essência do anjo; ao elevar seu coração, faz ressoar de novo nele aquele canto que se tinha quase adormecido. Aliás, podemos dizer até que a verdadeira liturgia se reconhece exactamente pelo facto que nos liberta do agir comum e nos restitui a profundidade e a elevação, o silêncio e o canto. A verdadeira liturgia reconhece-se pelo facto que é cósmica, não sob medida para um grupo. Ela canta com os anjos. Cala-se com a profundidade do universo em expectativa. E assim, redime a terra” (Cantate al Signore um canto nuovo, PP. 153-154)

Concluo. Já há alguns anos, na Igreja fala-se sobre a necessidade de uma renovação litúrgica. De um movimento, de qualquer modo semelhante ao que lançou as bases para a reforma promovida pelo Concílio Vaticano II, que seja capaz de actuar uma reforma da reforma, ou melhor ainda, um passo em frente na compreensão do autêntico espírito litúrgico e da sua celebração: levando a cabo dessa maneira a reforma providencial da liturgia que os Padres conciliares começaram, mas que nem sempre, na actuação prática, encontrou uma realização pontual e satisfatória.


Fonte: L’Osservatore Romano

Música Devocional é Diferente de Música Liturgica

Jeffrey Tucker explica:
Há dois equívocos freqüentes a respeito da música religiosa popular:
1) a crença em que ela seja algo revolucionário e novo nos tempos modernos;
2) a ideia de que ela represente ameaça ao culto litúrgico.
Nenhuma delas é verdadeira. A música devocional é tão antiga quanto a própria Fé. E não representa nenhum problema, desde que as pessoas não a confundam com música litúrgica, que é sempre vinculada ao texto litúrgico. O grande problema do nosso tempo é essa terrível confusão. De algum modo precisamos reencontrar o caminho de volta ao texto litúrgico, de modo a podermos colocar a música devocional no seu lugar adequado.
Parece-me que na maioria das celebrações da Santa Missa, no Brasil, ocorre o uso de música devocional substituindo a música litúrgica (e tudo indica que não é só no Brasil). Não fiz nenhuma pesquisa baseada em métodos estatísticos para dizer que é a maioria (mais de 50%, portanto), mas os relatos e a experiência sugerem isso. Mesmo assim, ainda que isso ocorra em dez por cento das igrejas, deveríamos trabalhar para que nelas a situação mudasse.

Se fossem só dez por cento, não poderíamos abandoná-las, só por ser minoria. E, sendo a maioria, não podemos considerar que seja certo só porque a maioria está fazendo.

Também não se pode justificar o uso incorreto da música devocional na Liturgia dizendo que isso acontece há "muito tempo" (uns quarenta anos). Isto equivale a dizer que um erro, cometido durante bastante tempo, torna-se um acerto.

Jeffrey Tucker é um otimista, e escreve a explicação que traduzimos ali acima sob o ponto de vista pelo qual a música devocional não ameaça o culto litúrgico. De fato, a situação ideal é essa: o cultivo da autêntica música litúrgica não exige que se abandone todo o resto da cultura musical; pelo contrário.

Entretanto, é importante lembrar que essa ameaça existe, sim, se não tivermos clara a diferença entre música devocional e música litúrgica. Se soubermos o que é cada uma, ótimo; se as confundimos, temos a situação atual: a música pop de letras religiosas entra na Liturgia.

Seria o equivalente a pegarmos livros de sucesso do momento atual e introduzirmos seus textos na Liturgia, substituindo as leituras da Sagrada Escritura. É verdade que o pop religioso tem letra religiosa, e tirar uma Carta de São Paulo para colocar Harry Potter não produz uma comparação exata, já que os livros deste personagem não são religiosos; mas nossa analogia pode fazer mais sentido se o leitor imaginar um livro de auto-ajuda, ou então certos livros escritos por católicos, às vezes sacerdotes, cujo conteúdo (e também o aspecto visual) é do mesmo naipe.

Bem, não importa: ainda que se tratasse de um piíssimo poema do Beato Anchieta, ou o mais místico escrito de Santa Teresa, não os tomaríamos para substituir as leituras bíblicas da Liturgia da Missa. Do mesmo modo não podemos colocar música devocional no lugar do Introito, do Gradual (ou do Salmo Responsorial), do Alleluia (ou Trato), do Ofertório e da Comunhão. Todos eles, com raríssimas exceções, são tirados da Escritura, prescritos pela Igreja do mesmo modo que são prescritas as leituras. E estamos substituindo essas palavras por música devocional ruim, quando o certo é não substituir nem mesmo por música devocional boa.

O caso das Missas Baixas da Forma Extraordinária do Rito Romano é diferente. Tais Missas, não tendo o seu texto cantado, mas recitado pelo sacerdote, admitem o canto de música devocional pela assembleia; canto, entretanto, sujeito a certas regulações que impedem o uso de música inadequada. O ideal é a Missa Alta, com o Próprio efetivamente cantado.

As rubricas da Forma Ordinária, o rito aprovado pelo papa Paulo VI e que entrou em vigor em 1969-1970, além da compilação do Graduale Simplex, entre outras iniciativas, buscam possibilitar maior uso da música litúrgica autêntica. Entretanto, isto em grande parte ficou no papel: a desobediência, a insubordinação, o desejo de ruptura e a ignorância das coisas sagradas transformaram a Liturgia, em muitos lugares, num palco de mau gosto onde tudo é permitido, menos o tradicional, o genuíno e o sacro.

Se às vezes se chama, pejorativamente, de "rubricismo" ao desejo de seguir com fidelidade o que a Igreja prescreve para a Liturgia, é de se lamentar que às vezes pareça haver um desejo de fazer tudo exatamente ao contrário do que as rubricas dizem, indo contra qualquer bom senso, numa tentativa de contrariar todo o passado e definindo, se fosse possível, a fundação da Igreja e a instituição da Liturgia para o dia de hoje.

Não se deseja que um texto assim termine de modo negativo; antes, é importante ter em mente que a música autêntica é possível, e que sua reintrodução, na maioria dos casos, acontece "tijolo a tijolo" - gradualmente. Ou "devagar e sempre", para usar outra expressão popular. O essencial é tomarmos a consciência das necessidades e peculiaridades musicais da Liturgia, e do enorme bem espiritual que representa o respeito às suas tradições e prescrições. Fariseus? Não há problema: é Cristo, e só Ele, quem sabe o que há na mente de cada um.
 
fonte:  http://www.salvemaliturgia.com/2012/05/musica-devocional-e-diferente-de-musica.html